Ser professora não foi minha primeira opção.
Mas foi nela que encontrei meu propósito.
Foi na sala de aula que vivi alguns dos meus dias mais felizes — dias cheios de risadas, aprendizados e pequenas grandes descobertas. Foi ali, entre livros, vozes infantis e perguntas curiosas, que me encontrei como profissional e, mais do que isso, como pessoa.
Ensinar é um ato de entrega. É abrir o coração para o outro, acreditar na capacidade humana de aprender, evoluir e se transformar. É plantar sementes que talvez nunca vejamos florescer, mas que seguimos regando, confiando que o tempo fará o seu trabalho.
Mas hoje, neste Dia dos Professores, é impossível não pensar no quanto essa profissão — uma das mais importantes do mundo — tem sido colocada à prova.
Vivemos um tempo em que faltam professores.
E não apenas nas estatísticas. Faltam professores nos sonhos das crianças, nas universidades, nos planos de carreira.
Muitos desistem antes mesmo de começar.
Outros, exaustos, partem em busca de reconhecimento em outras áreas.
A docência tem se tornado, para muitos, uma jornada solitária — marcada por salários baixos, desrespeito crescente e pressões que ultrapassam a sala de aula.
Nos últimos anos, o número de professores formados diminuiu drasticamente. As salas de aula se enchem, mas o respeito parece esvaziar.
Vivemos o paradoxo de uma sociedade que exige tanto da educação, mas pouco devolve a quem a faz acontecer.
Ser professora é, muitas vezes, ser também psicóloga, mediadora, conselheira, organizadora, criadora, cuidadora.
É lidar com famílias que nem sempre compreendem o valor do processo educativo, com alunos que enfrentam dores e pressões que vão muito além do conteúdo.
E ainda assim — apesar de tudo — seguimos acreditando.
Porque há algo que só quem ensina entende:
a alegria imensa de ver um aluno compreender algo novo, de testemunhar o brilho no olhar, de sentir que, de alguma forma, fizemos diferença.
É isso que me faz continuar.
Porque, apesar das dificuldades, educar é um ato de esperança.
E eu escolho, todos os dias, continuar acreditando que a educação transforma.
A todos os professores — os que ensinam, os que inspiram, os que resistem — o meu mais profundo respeito.
Hoje é o nosso dia.
Mas, na verdade, todos os dias são!
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