Recentemente, a Folkhälsomyndigheten, autoridade sueca de saúde pública, publicou novas recomendações sobre os hábitos digitais dos pais e responsáveis. O ponto central é muito significativo: não se trata apenas de discutir o tempo de tela das crianças, mas também de olhar para o uso que os próprios adultos fazem dos celulares e outros dispositivos na presença delas. As novas recomendações suecas chamam atenção para os hábitos digitais dos próprios adultos. Essa discussão me toca de maneira muito pessoal. Sou filha de pai sueco e mãe brasileira, cresci na Suécia e fiz lá toda a minha trajetória acadêmica. Minha forma de olhar para educação, infância e aprendizagem foi profundamente atravessada por essa experiência. Por isso, quando vejo a Suécia trazendo esse debate, minha atenção é imediatamente despertada. Não porque as respostas suecas devam ser simplesmente copiadas em outros contextos, mas porque elas nos ajudam a formular perguntas importantes. O que mais me chama a atenção ...
Ser professora não foi minha primeira opção. Mas foi nela que encontrei meu propósito. Foi na sala de aula que vivi alguns dos meus dias mais felizes — dias cheios de risadas, aprendizados e pequenas grandes descobertas. Foi ali, entre livros, vozes infantis e perguntas curiosas, que me encontrei como profissional e, mais do que isso, como pessoa. Ensinar é um ato de entrega. É abrir o coração para o outro, acreditar na capacidade humana de aprender, evoluir e se transformar. É plantar sementes que talvez nunca vejamos florescer, mas que seguimos regando, confiando que o tempo fará o seu trabalho. Mas hoje, neste Dia dos Professores, é impossível não pensar no quanto essa profissão — uma das mais importantes do mundo — tem sido colocada à prova. Vivemos um tempo em que faltam professores. E não apenas nas estatísticas. Faltam professores nos sonhos das crianças, nas universidades, nos planos de carreira. Muitos desistem antes mesmo de começar. Outros, exaustos, partem em busca de recon...